''Deveríamos fazer um Luto e autocrítica coletiva'' (Revista Única)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
S.A.R. o Senhor D. Duarte fala à revista Única na sua casa em Sintra. Quando esta entrevista foi dada ainda não estava confirmada a Proclamação de Lealdade para com o Chefe da Casa Real Portuguesa, promovida pela Causa Real, no próximo dia 5 de Outubro em Guimarães.
 
 
 
 
A República faz 100 anos. Como olha para este século?
 
Não vejo como é que os republicanos conseguem comemorar uma iniciativa, com ideais e entusiasmo, mas onde tudo correu mal. Os primeiros anos foram de perseguição, radicalismo e mortes. O povo estava tão farto que apoiou o golpe militar de 1926. Do ponto de vista económico e social correu muito melhor, mas política e democraticamente foi péssimo. Com o 25 de abril veio a terceira revolução republicana que deu enorme atraso à economia portuguesa, desgraçou os povos africanos e os portugueses que viviam no ultramar, atrasando em dez anos o nosso desenvolvimento. Hoje estamos numa crise profunda. Deveríamos fazer um luto e autocrítica coletiva.
 
Fazia então sentido que houvesse uma mudança de regime?
 
Sim. Se tivéssemos continuado em monarquia, hoje estaríamos ao nível dos países mais desenvolvidos da Europa, com os seus exemplos de monarquias constitucionais.
 
O que pretende fazer com a sua família no dia 5 de outubro?
 
Ainda não decidimos. Ou vamos a Guimarães, a um encontro da Causa Real, ou visitar a Síria.
 
Se a monarquia fosse restaurada o que é mudava?
 
Antes de mais os poderes do rei teriam que ser definidos pelo Parlamento e portanto, dependendo desses poderes, agiria em conformidade. Mas por tradição os reis não intervêm na vida política, só em casos de emergência. A grande vantagem de ter um rei é que pode desempenhar uma função além da política. Pode ser um árbitro sem pertencer a nenhum clube.
 
Vota nas eleições para a presidência da República?
 
Não posso votar. Estaria a contradizer a minha posição, quando digo que a chefia de Estado republicana não é uma boa solução para o país. Nestas eleições seria ainda mais delicado porque gosto dos três candidatos.
 
Como olha para o movimento monárquico?
 
Há um movimento oficial, que é a Causa Real e as suas associações, mas depois há monárquicos que não pertencem a nenhuma estrutura. Oiço muitos nas minhas deslocações pelo país. Já houve quem me dissesse que era filiado no PCP e monárquico.
 
Quem gere o património da família da Casa de Bragança?
 
É a Fundação da Casa de Bragança. Esse património foi-nos retirado nos anos 40 e entregue a esta fundação. O meu património pessoal, como esta casa e outros bens, são geridos por mim, A Fundação D. Manuel II gere os prédios no Chiado que foram entregues pela viúva de D. Manuel II. Também herdei algumas coisas da rainha Dona Amélia, fui seu herdeiro, ela era minha madrinha de baptizado.
 

Fonte: Revista Única de 02 de Outubro de 2010

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