A Família já não é o que era - Artigo de Dom Duarte (Expresso)

 
 
 
Existem hoje em dia fortes correntes ideológicas para as quais está em causa o modelo de família tradicional. O que quase ninguém repara e diz é que no passado  muitos foram os movimentos radicais que lutaram pela abolição da família ou pelo seu controlo pelo Estado. Mas a família é “a única instituição subversiva”, e em todas as épocas conseguiu renascer mediante os actos de amor e de confiança que estão na sua origem.

No passado séc. XX, as ideologias dos Estados totalitários consideraram a família o principal factor de transmissão dos valores " errados " e reacionários  do passado .. Por isso na União Soviética e na Alemanha Nacional Socialista  tentou-se que as crianças saíssem da influência familiar, sendo educadas pelo Estado,  respectivamente nos "kolkhoze" e nos “Lebensborn”.

As  doutrinas fundamentalistas sempre pretendederam  moldar um Homem Novo, sem os “preconceitos” familiares. É  pois, chocante   que ainda hoje  se mantenha em regimes democráticos a repugnância em deixar as famílias educar os seus filhos para os seus valores éticos e espirituais por forma a proteger a estabilidade familiar. A obrigação das escolas adoptarem programas oficiais ideológicamente formatados , ou de "educação" sexual polémicas  é uma forma  actual de totalitarismo cultural .   Os pais se quiserem que os filhos tenham educação moral, devem tomar a iniciativa de o pedir.  No caso da educação sexual, não podem optar , é obrigatória ...     

Na nossa sociedade democrática não podemos deixar o Estado penetrar nos terrenos da intimidade familiar ou em que a família tem capacidade de se auto-regular. E devemos ajudar as famílias a encontrar formas de expressar os seus direitos e interesses. A família é o espaço decisivo de aprendizagem do amor, da fraternidade  e da paz, e devemos lutar para que ela assuma o seu papel social e político   na realização de uma sociedade mais justa

Em Portugal a degradação da Família sucedeu principalmente nas grandes cidades, onde as referência socio-culturais desapareceram mais facilmente , e onde os jovens se afastaram da cultura dos pais. A toxicodependência, e a delinquência infantil e juvenil são as consequências mais visíveis.

Nós  ainda não percebemos o que se está a passar e parece que não somos capazes de utilizar os instrumentos democráticos para, negociando organizadamente o nosso voto, exigir dos Legisladores medidas  "amigas da família" e levar o Estado a respeitar o  interesse dos portugueses. 

É verdade que numa visão capitalista irresponsável , será mais fácil manipular uma massa humana desorganizada do que uma Nação constituída por famílias equilibradas.

Mas mesmo os mais irresponsáveis já começaram a perceber que o " Inverno Demográfico " ( quando as novas gerações são incapazes de substituir as anteriores) , trará consequências gravíssimas , pondo em causa a preservação do nosso modo de vida e a nossa identidade como Povo. Talvez sejamos  substituídos  por outras populações mais prolíficas e dominados por elas... . 

A cultura em que nos situamos considera a família como uma referência de valores e é obrigação do Estado  criar políticas de apoio à família. A legislação sobre a família tem um núcleo que não pode estar sujeito nem a flutuações políticas ou ideológicas .

 Para que as famílias tenham cada vez mais liberdades e direitos sociais, devemos unirmo-nos e exigir dos legisladores.cada vez mais respeito por todos aqueles que geram e criam filhos.

Dom Duarte de Bragança
 
 
in: Expresso

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